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A latinização da música pop – Parte I

by Karla Wunsch

Em 2004, muita gente cantou “Gasolina”, hit de Daddy Yankee. Mas o reggaeton ainda não se destacava tanto em relação às centenas de músicas que nas paradas musicais. Já hoje, a latinidade é a nova tendência do momento. Mas, como isso aconteceu?

Todo mundo corre para a pista de dança e se organiza em filas. Começa com um braço pra frente depois o outro. Cruza o direito, depois cruza o esquerdo. O ano é 1996. E o refrão Dale a tu cuerpo alegria Macarena ainda vai tocar algumas vezes até todo mundo ter feito os mesmos passos dezenas de vezes. Vinte anos depois, a música de Luis Fonsi com Daddy Yankee, “Despacito”, é o primeiro hit em espanhol, desde o sucesso coreografado do Los Del Rio, que consegue chegar ao topo das paradas e produzir um efeito similar, mundialmente.

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Nessa onda do des-pa-ci-to vemos a latinização da música pop dar um salto. Se nos anos 2000, Shakira estourou pelo mundo com Laundry Service, seu primeiro álbum em inglês, agora vemos ela gravando hits na sua língua mãe como: a “Chantaje” com Maluma e “Pero Fiel” com Nicky Jam. As artistas brasileiras também assumiram o lado latino, este ano Anitta veio com “Paradinha” toda en español. Cláudia Leite que em 2016 gravou Corazón com Daddy Yankee, hoje segue apostado nesse clima, com várias músicas pra provar, como “Baldin de gelo” e Ivete Sangalo, símbolo de Brasilidade, assumiu o lado latino do nosso país, já ouviu sua nova: “Cheguei pra te amar“?

Mas para entender como o Reggaeton saiu dos seus países de sucesso como México, Colômbia e Porto Rico e chegou ao Mainstream é preciso fazer um breve passeio.

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O Reggaeton vem da junção do hip-hop com o dancehall. O hip-hop surgido nos anos 1970 foi inspiração das batidas, assim como partes da músicas mais faladas. O dancehall, da mesma época, pode não ser tão famoso pelo nome, ou pelo apelido: ragga, mas hoje em dia com certeza faz sucesso. “Sorry” de Justin Bieber, “Work” de Rihanna e “One Dance” de Drake são só alguns exemplos de músicas que trazem sua batida – junto com o R&B ou Pop, por exemplo.

Olha só como é uma base padrão desse gênero. Bem simples.

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Adicione isso a algumas quebras no meio da canção e temos reggaeton. Novo queridinho do mainstream da música. O fato de o dancehall já estar há algum tempo nas paradas também facilita a entrada do Reggaeton com naturalidade nos ouvidos. Para nós brasileiros nem se fala, que por proximidade, já estamos acostumados com a sonoridade.

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Além de ter um ritmo envolvente e simples tem outros fatores que ajudam uma música a se tornar hit. “Despacito” dos portoriquenhos Luis Fonsi com Daddy Yankee (original) foi lançada em janeiro deste ano, mas foi a versão com o remix do americano Justin Bieber, em abril, que deu o grande empurrão na canção. “Mi Gente” de J Balvin é outro hit colombiano, que faz todo mundo rebolar, e ganhou remix com Beyoncé. Quer dizer que as estrelas do circuito mainstream tem mais chance de destaque cantando esse gênero do que quem de fato tem suas raíz nele. Como exemplo, a novidade “Por Favor” do Pitbull feat. Fifth Harmony.

De qualquer forma, mais do que nunca as identidades latinas ganham força, mesmo que não sejam estritamente reggaeton ou dancehall. Já viu o clipe “Havana” da Camilla Camilo, que explora suas origens Cubanas? Tem até sátira de novelas.

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Outro grande ajudante desse cenário é a internet, que facilita o acesso à cultura de outros países, podendo ir longe das rotas esperadas. Fico pensando que com esse impulso, talvez o recorde seria do Daddy Yankee lá em 2004 ainda. Já Macarena, nem consigo dimencionar o sucesso que seria, imagina quantos vídeos de dancinha na internet.

Leia: A latinização da música pop – Parte II

Falando em dança. Aqui tá cheio de sons pra você se mexer.

Karla Wunsch

Karla Wunsch

Comunicadora formada pela PUCRS. Trabalha como produtora de conteúdo desde 2012. Fala sobre tudo, especialmente música. Por esse amor também virou DJ e venderia móveis para ir a shows.