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A latinização da música pop – parte II

by Karla Wunsch

Depois de quase um ano, “Despacito” segue no Top 100 da Billboard. “Havana” e “Mi Gente”, ambas estão há 5 meses na parada. Novos hits em clima latino não param de surgir. Demi Lovato gravou com Fonsi, Anitta com JBalvin e parece que essa onda está longe de sair do auge. Aproveita pra dar uma play lista e saber mais sobre esse fenômeno.

Na primeira parte da série Latinização da Música Pop, fomos entender como passamos a ouvir esse gênero em todos os lugares. Em resumo, o que foi dito é que a base do ritmo é fácil e dançante (originário do Dancehall, que simultaneamente tem ganhado muito espaço), e a internet ajudou a distribuir essa cultura. Além disso, houve a apropriação de grandes popstars, contribuindo para a validação do gênero fora dos países latinos. Ufa!

Porém, existe muito mais no sucesso de uma música ou de um ritmo do que imaginamos, os produtores são um exemplo. No caso do Dancehall, não por acaso, muitos deles vêm do Canadá. Pode soar estranho, mas é pura história.

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Nineteen85 produziu sozinho “Hotline Bling,” de Drake e levou Grammy pra casa.
Nineteen85 produziu sozinho “Hotline Bling,” de Drake e levou Grammy pra casa.

Isso aconteceu porque, nos anos 1960 e 1970, o Governo do Canadá facilitou a imigração, atraindo a população jamaicana para seu país. Hoje em dia, quem está agitando a cena são essa geração de canadenses filhos de pais Jamaicanos, seguindo com suas origens musicais. Claro que alguns artistas da Jamaica mesmo conseguiram alavancar sucessos como Supa Dups​ e “Di Genius” McGregor.

Com 25 anos, Sevn Thomas produziu o sucesso “Work” de Rihanna & Drake.
Com 25 anos, Sevn Thomas produziu o sucesso “Work” de Rihanna & Drake.

E uma outra galera que nao tem tanto a ver com essa raíz como Jr Blender da Alemanha e Cashmere Cat​ na Noruega.

Jr. Blender co-produziu "Cold Water" de Justin Bieber e MØ e Light it Up de Major Lazer.
Jr. Blender co-produziu “Cold Water” de Justin Bieber e MØ e Light it Up de Major Lazer.

Sim, são muitos nomes provavelmente nunca ouvidos, mas já dá pra começar a entender que no processo de uma música existe muito mais gente e histórias envolvidas. Para traduzir pro inglês a versão de Despacito com Justin Bieber, por exemplo, o cantor chamou mais dois produtores e compositores, sendo um deles o Poo Bear – que gravou com Anitta, sabe?

Voltando à versão original do maior hit em espanhol das paradas norte-americanas desde “Macarena”, a música foi feita inteiramente com sangue latino. De Porto Rico: Daddy Yankee, considerado o pai do Reggaeton, e Luis Fonsi. Do Panamá a co-compositora, com Fonsi, Erika Ender e da Colômbia, JBalvin.

Ganhador de 2 Grammys Latinos, JBalvin canta desde 2004.
Ganhador de 2 Grammys Latinos, JBalvin canta desde 2004.
Daddy Yankee canta, compõe e produz desde 1991.
Daddy Yankee canta, compõe e produz desde 1991.

Como mostrado na parte I da latinização da música pop, apesar dos nomes de peso da música, o sucesso se concretizou com a participação de Justin Bieber, que é um fenômeno mundial e também… canadense, mas sem origem jamaicana. Porém viu uma reviravolta positiva na sua carreira graças ao hit inspirado pela mistura de Pop com dancehall,”Sorry”. É, parece que está tudo ligado, né?

Leia: A latinização da música pop – Parte II

Karla Wunsch

Karla Wunsch

Comunicadora formada pela PUCRS. Trabalha como produtora de conteúdo desde 2012. Fala sobre tudo, especialmente música. Por esse amor também virou DJ e venderia móveis para ir a shows.